“Eu gostei tanto, tanto…”
“Vingança, O Musical”, de Anna Toledo com músicas de Lupicínio Rodrigues, se passa nos anos 50, no sul do Brasil, e tem como pano de fundo a vida boêmia de um cabaré. O enredo narra o desenrolar de três triângulos amorosos que surgem enquanto um boêmio de vida dupla tenta manter a esposa e as amantes, mas nada sai como planejado quando ele se envolve com uma mulher fatal.
O musical está voltando em cartaz nove anos após a estreia no CCBB de São Paulo. E eu, Rafael Nogueira aqui do Musical Cast, não poderia estar mais ansioso por essa volta.
Lá em 2013, quando o musical estreou, eu tinha acabado de me mudar para capital paulista. Saí do sul para me aventurar em São Paulo por amar muitos os musicais e para ficar mais perto deles e da vida cultural da cidade grande. Na época, eu ainda tinha uma percepção equivocada do que poderia ser teatro musical de fato. Acreditava que apenas os musicais norte-americanos valeriam a pena conferir, mas tudo que comentavam sobre o musical “Vingança” me chamava muito a atenção, e eu não poderia perder. A primeira temporada no CCBB de São Paulo tinha sessões apenas durante a semana, e como eu trabalhava às noites, era quase impossível conseguir uma brecha para assistir ao espetáculo. Não consigo me lembrar exatamente de como consegui deixar o trabalho para assistir, mas lembro que era a última semana da temporada e, como o sucesso foi grande, abriram uma sessão extra no dia 4 de julho, o dia da última apresentação. Nesse dia, o “Vingança” me salvou duplamente.

Já fazia duas semanas que eu tentava me curar de uma virose, foram muitas idas ao médico e ao hospital e eu não melhorava por nada. No dia, quase desisti de ir, pois estava com muita tosse e não queria ser o desagradável tossindo durante a peça toda. O dia estava muito frio, então me enrolei com o máximo possível de roupas, enchi o bolso de pastilhas para garganta e fui, pois a vontade de ver o espetáculo ainda era maior. Sentei na segunda fileira daquele pequeno, porém aconchegante, teatro do CCBB. Eu sentia uma energia de empolgação das pessoas e estava muito empolgado também, pois havia artistas no palco que já conhecia de outros musicais e outros que já admirava e veria pela primeira vez. O espetáculo começou, e eu sofrendo pra tentar não tossir, até que chega a terceira música. Era Andrea Marquee cantando a música “Você Não Sabe”. Naquele momento, eu entrei numa espécie de transe que durou até o fim do primeiro ato. Daquele ponto em diante deixei até de me sentir doente e parecia que minha vida ganhava um novo sentido, tudo foi se encaixando e ganhando forma. Foi um daqueles momentos únicos na vida que talvez a gente jamais experiencie novamente. Muita coisa vinha na minha cabeça vendo a força e a interpretação da Andrea Marquee. A música me remetia a sentimentos que nem eu sabia que tinha. Estávamos ainda muito no início do espetáculo para eu saber do que estava ainda por vir e mesmo assim eu ficava me perguntando por que tudo era tão lindo e por que eu estava me sentindo daquela forma.
Quando o espetáculo acabou, eu estava transtornado, porque tinha acabado de entender que um musical não precisava ser grandioso, cheio de trocas de cenários, grandes números de dança ou muitas coreografias e, o melhor ainda, que podia ser originalmente brasileiro e ser superior a muitas outras obras vindas de fora. Eu estava muito emocionado com o que tinha visto, emocionado em ver a Anna Toledo chegar às lágrimas durante os agradecimentos por ser o último dia da temporada e, além de tudo isso, ainda estava triste em saber que era o último dia e que não teria mais chances de ver o musical novamente. Saí me sentindo muito bem. Os últimos sintomas de doença foram embora e comecei a ver o teatro musical com outros olhos. É por isso que sempre falo que saí com o sentimento de que “Vingança” me salvou duplamente naquela noite de 2013.
No dia seguinte, comecei a ouvir a gravação de áudio que fiz com o celular (sim, fãs de musicais fazem isso. Qual apaixonado por musical que não gosta de um bom bootleg?). Ouvi várias vezes as músicas naquelas vozes e prometi a mim mesmo que se um dia o musical voltasse em cartaz, eu tentaria ver muitas vezes e levaria vários amigos. Para minha felicidade, o musical não só voltou em fevereiro de 2014, mas como ainda veio junto com um CD da trilha sonora e o libreto com as partituras. No dia 12 de fevereiro, eu estava lá de volta no CCBB para a reestreia da segunda temporada, agora com Leandro Luna substituindo Luciano Andrey e Amanda Acosta substituindo a Ana Carolina Machado. Tinha amado o Luciano e a Ana Carolina, mas sempre fui muito fã do Luna e da Amanda, então não tinha como me decepcionar. Rever naquela noite foi tão mágico como foi quando vi pela primeira vez e foi aí que comecei a “espalhar a palavra” do “Vingança” para todo mundo e comecei a levar os amigos para o teatro. Já estava virando um frequentador tão assíduo na plateia que, quando o musical começou uma terceira temporada no Teatro Sérgio Cardoso, fui até convidado para assistir ao ensaio. Na quarta e última temporada, que aconteceu no mesmo ano, no Teatro Jaraguá, eu já tinha um dia certo da semana para marcar presença na plateia. Toda semana, na quinta-feira, um dos artistas me convidava para assistir e eu aproveitava para levar um amigo e apresentar a obra. Cada quinta-feira era única e inesquecível. Essa temporada do Teatro Jaraguá foi a mais marcante para mim. Além de eu ter colocado o “Vingança” semanalmente na minha vida, foi um momento em que tive um término de relacionamento bem dolorido e isso me fez sentir as músicas do espetáculo de outra forma. A dor de cotovelo das músicas do Lupicínio Rodrigues me fez ficar ainda mais triste e dolorido num primeiro momento, mas logo nas semanas seguintes, o “Vingança” foi um escape dessa dor e tristeza. O teatro e aqueles artistas me faziam esquecer por duas horas daqueles sentimentos negativos que eu ainda tentava digerir e processar.
A última apresentação em São Paulo, no dia 11 de setembro de 2014, foi triste por eu saber que aquele ponto de luz semanal não existiria mais. Na noite de despedida, ainda tive uma incrível ajuda do amigo Ed Paiva que correu atrás de flores para eu entregar para o elenco. Tentamos com um gesto singelo agradecer por tudo que o “Vingança” e todos que estiveram envolvidos no espetáculo nos proporcionaram. Apesar da noite triste de despedida, me senti feliz por ter mergulhado de cabeça no universo do “Vingança”. Entre todas essas idas e vindas do teatro, no total foram 20 apresentações assistidas no CCBB, Teatro Sérgio Cardoso e Teatro Jaraguá, além de um pocket show na Livraria Cultura, da apresentação da Virada Cultural, no Pateo do Colégio, e do “Em Concerto” no Bourbon Street.


Sempre falo que sou eternamente grato a Anna Toledo pela obra que mudou minha visão dos musicais e que fez parte enorme da minha vida por mais de um ano.
Nesses últimos anos eu sempre ouvia que a Morente Forte traria o espetáculo de novo para o palco, mas eu não tinha muita esperança que isso realmente acontecesse. Quando me contaram, fiquei feliz, porém, ao saber das mudanças de elenco, tive algumas dúvidas e sentimentos conflitantes, afinal, talvez aquilo mexesse muito nessas memória afetiva. Mas isso durou pouco: conforme as divulgações começaram e o burburinho na internet apareceu, minha paixão pela obra se reacendeu. E posso dizer que essa semana, em que acontecerá a estreia dessa nova temporada do espetáculo, no Teatro Raul Cortez, está demorando demais para passar. Estou contando as horas para finalmente rever o antigo elenco com as novas substituições com esses artistas que também sempre admirei.
Anna Toledo, Jonathas Joba, Sérgio Rufino, Andrea Marquee, Luciano Andrey, Ana Carolina Machado, Leandro Luna, Amanda Costa e Guilherme Terra, obrigado novamente por terem feito parte da minha vida. E aos novos integrantes, Maria Bia, Danilo Moura e Lola Fanucchi, venham que eu estou de coração aberto para ver vocês no palco. “Vingança” merece essa volta. Será uma temporada linda. Merda!
O musical ficará em cartaz só até o dia 28 de agosto, no Teatro Raul Cortez. Ingressos pelo site da Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/73852/d/141784/s/921630
Ficha Técnica:
Texto original de Anna Toledo.
Músicas de Lupicínio Rodrigues
Direção Musical: Guilherme Terra.
Direção Geral de André Dias
Direção de Movimento e coreografia: Kátia Barros
Com
Anna Toledo – Luzita
Danilo de Moura – Alves
Jonathas Joba – Liduíno
Lola Fanucchi – Maria Rosa
Maria Bia – Linda
Sergio Rufino – Orlando
e Guilherme Terra como Seu Maestro*
Músicos:
Guilherme Terra (piano)*, Jeferson de Lima (Violão) e Ricardo Berti (Percussão)
* Piero Damiani – Seu Maestro/pianista alternante
Diretora Assistente: Carla Masumoto
Direção de Movimento: Kátia Barros
Cenários e figurinos: Fabio Namatame
Luz: Wagner Freire
Pianista Ensaiador: Piero Damiani
Coordenação de Comunicação: Beth Gallo
Assessoria de Imprensa: Morente Forte – Thais Peres Forte
Programação Visual: Cassiano Pies
Fotografia: Caio Gallacci
Filmagem: Jady Forte
Redes Sociais e Textos: Ana Paula Barbulho Coordenação Administrativa: Dani Angelotti Assistência Administrativa: Alcení Braz
Produção Executiva e adm da temporada: Leonardo Leal
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte
















Quando eu era um bebê adorava assistir desenhos, filmes, programas infantis etc. com música. Fui crescendo, crescendo e crescendo até chegar em 2014. Neste ano, conheci minha melhor amiga, Isabela. Em 2017, fui brincar em sua casa, e ela me contou que estava fazendo Teatro Musical na Catavento Academia de Artes, e que iria fazer o espetáculo Tinker Bell.













O que esperar de um musical sobre um jovem imigrante irlandês, chamado Hop Kelly, que aceita o desafio de pular da ponte do Brooklyn e sobreviver?

Receita para um fracasso: Santo Sudário, lasers, ciência, filho negligenciado e um amigo imaginário. Essas são as palavras-chave do enredo do musical Into the Light, sobre um fisicista que estuda o Santo Sudário e é tão obcecado pelo trabalho que começa a ter problemas familiares. Seu filho se sente tão negligenciado que cria um amigo imaginário mímico para lidar com a ausência do pai. O texto, músicas e letras são de pessoas com experiência na Broadway tão nula que nem compensa citá-las aqui. Dean Jones, o Bobby do elenco original de Company, era o único grande atrativo, que não foi suficiente para atrair o público após a crítica acabar com o espetáculo. Dean, como um grande religioso, acreditava muito no material e afirmou na época que “o teatro tem que inspirar, elevar o espírito”. Os personagens estavam sempre cantando sobre partículas, moléculas, matéria e antimatéria. As cenas de estudo do Santo Sudário se alternavam com cenas do filho com seu amigo imaginário que surgia da luz e era visível apenas para o público. O espetáculo conseguiu inclusive ofender muitos religiosos, principalmente em uma cena da música “Let There Be Light”, em que freiras, padres e arcebispos dançavam em aprovação ao projeto do estudo do Santo Sudário. Era em momentos como esse que o musical arrancava gargalhadas da plateia, mesmo tendo sido escrito para ser levado a sério e sem nenhuma intenção de ser engraçado. O musical fechou com o prejuízo de 3 milhões de dólares, até então um dos maiores prejuízos que a Broadway já tinha visto. Nenhuma gravação em estúdio foi feita e acredita-se que nenhuma gravação em bootleg sobreviveu ao tempo, ou que ninguém teve o interesse de gravar na época.
Uma forma de identificar um flop: a história é tão confusa que a explicação do enredo precisava vir anexada ao Playbill. O musical Via Galactica foi um espetáculo de ficção cientifica que se passava no ano de 2972 e contava a história de amor de um rapaz por uma rebelde, que pretendia fugir para outro sistema solar. Cabia ao rapaz escolher ficar para sempre na Terra ou fugir com a garota para as estrelas. A história era dividida em dois atos, como todos os outros musicais, mas cada ato foi dividido em 4 partes, o que fazia as pessoas não entenderem a ligação de uma parte com a outra. O texto era tão problemático que faltava algo muito importante, o público sentir empatia ou qualquer sentimento pelos personagens. O musical contava com um nome de peso, Galt MacDermot, responsável pelas composições do musical Hair e também do flop Dude (citado na primeira parte desse artigo). As músicas do espetáculo mantinham o que MacDermot sempre soube fazer bem: rock e country com uma pegada gospel. Mas o que MacDermot nunca esperava ter eram dois fracassos seguidos em um mesmo semestre, aparentemente sem aprender nada com os erros do musical Dude.

Se você está acostumado apenas com os grandes sucessos da Broadway, então temos que interromper um pouco antes de falar desse musical. “The Best Little Whorehouse Goes Public” é uma sequência do aclamado “The Best Little Whorehouse in Texas”, que em 1978 foi indicado a 6 Tony Awards e ainda teve uma adaptação cinematográfica em 1982. O musical conta a história real de um prostíbulo no Texas que está aberto há mais de um século, comandado por Mona Stangley, que é fechado após pressão do xerife com influência da mídia local. O filme foi estrelado pela rainha country Dolly Parton, fazendo par com Burt Reynolds. E pasmem! No filme, temos a icônica canção “I Will Always Love You” consagrada por Whitney Houston, que poucos sabem que é originalmente de Dolly Parton. A produção original da Broadway teve 1584 apresentações, ficando 4 anos em cartaz. Mas então, 16 anos após esse grande sucesso, os mesmos criadores, Carol Hall, Larry L. King e Peter Masterson, tiveram a ideia de fazer uma sequência do musical.
E voltamos à máxima “NÃO FAÇA CONTINUAÇÕES DE MUSICAIS!”. Bring Back Birdie é a continuação do famoso Bye Bye Birdie, de 1960, estrelado por Chita Rivera e Dick Van Dyke, que foi indicado a 8 Tony Awards, ganhou 4 deles, incluindo o de melhor musical, e teve uma adaptação cinematográfica em 1963. A história original nos apresenta a família MacAfee, que é afetada com a vinda do cantor Conrad Birdie para a sua pacata cidade, na qual Conrad Birdie irá escolher uma garota do seu fã clube para quem cantar a última música antes de se alistar no serviço militar. Já na continuação, Bring Back Birdie, o enredo mostra o que aconteceu com os personagens 20 anos depois. Albert Peterson, que foi o responsável por escrever um dos maiores sucessos de Conrad Birdie, tem uma oferta de 20 mil dólares para se reencontrar com Birdie e convencê-lo a se apresentar no Grammy Awards. Nessa jornada, Rose (Chita Rivera, reprisando o personagem) se junta ao marido Albert em busca de Birdie. Quando Albert encontra Birdie, ele está muito acima do peso e é prefeito de uma pequena cidade no Arizona. No meio dessa caçada ao Birdie, Albert e Rose precisam lidar com a filha rebelde, que foge de casa para entrar num culto Hare Krishna, e os outros filhos que resolvem entrar numa banda punk rock (linda história).










































