A gente nem deixou vocês sentirem falta de uma boa série aqui no Musical Cast! No episódio “Os Flops da Broadway #1”, o Rafael Nogueira, o Glauver Souza, a Alene Botareli e o Felipe Tostes conversam sobre o que exatamente faz de um espetáculo um flop e comentam 4 deles: Carrie, Merrily We Roll Along, Side Show e Tarzan. O que fez de cada um desses musicais um flop? Vale a pena conhecê-los? Quais são as melhores versões?
Quais flops vocês querem ver nos próximos episódios da série? Deixem na caixinha dos nossos stories as sugestões!
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Depois da ótima resposta ao primeiro texto sobre os grandes flops da Broadway, é claro que lançaríamos a continuação, abordando outros flops históricos. Como prometido, aqui está ela, com algum atraso, mas muitas histórias interessantes de grandes fracassos da Broadway para contar. Na parte 1 dessa série, falamos sobre os musicais Breakfast at Tiffany’s, Dude, Saravá, Carrie e Chess (se ainda não leu, clique aqui).
Dessa vez, os musicais foram selecionados com base no quão intrigantes são os fatos que os levaram ao fracasso, além de a grande maioria ser formada por espetáculos quase desconhecidos e com pouquíssimo material de estudo disponível. Então flops famosos e mais recentes, como Dance of the Vampires, Big FishAmélie e Bright Star, ainda não entrarão na nossa lista.
Vamos logo para os flops, porque não é só de sucesso que a Broadway é feita.
Kelly Estreia: 6 de fevereiro de 1965 Número de sessões: 7 previews e 1 apresentação
O que esperar de um musical sobre um jovem imigrante irlandês, chamado Hop Kelly, que aceita o desafio de pular da ponte do Brooklyn e sobreviver?
Baseado na história verdadeira de Steve Brodie, o musical também retrata um grupo de apostadores que, cansados de ver Hop Kelly desistir de pular diversas vezes e frustrar suas apostas sobre o destino do imigrante, resolvem jogar da ponte um boneco em tamanho real para acabar logo com a história. O flop começa já na pré-produção. As composições são de Mark Charlap (compositor de Peter Pan, único musical de sucesso de toda a sua carreira) e as letras e o texto de Eddie Lawrence, que nunca tinha escrito um musical antes. Durante os try-outs, que aconteceram em Boston e na Filadélfia, o texto foi totalmente reescrito por várias pessoas, sendo uma delas Mel Brooks.
Charlap e Lawrence chegaram a entrar na justiça contra os produtores do musical para que o material fosse restaurado antes de chegar à Broadway. As críticas dos try-outs foram de ruins para péssimas e, quando o musical finalmente abriu na Broadway, as críticas conseguiram ser ainda piores, fazendo o show fechar na noite de estreia. A atriz Ella Logan, que estava no elenco durante os try-outs e teve seu papel cortado no meio de todas as revisões do texto, foi parabenizada pela crítica pela sorte de nunca ter estreado no musical. Na época, o fechamento do musical atraiu muito a mídia, especialmente porque o investimento de 650.000 dólares foi perdido. No começo dos anos 80, uma gravação foi lançada, utilizando várias demos gravadas 15 anos antes, quando o musical estava em produção. Até hoje é considerado um dos piores cast recordings da história, impossível de escutar até o final.
Into the Light Estreia: 22 de outubro de 1986 Número de sessões: 13 previews e 6 apresentações
Receita para um fracasso: Santo Sudário, lasers, ciência, filho negligenciado e um amigo imaginário. Essas são as palavras-chave do enredo do musical Into the Light, sobre um fisicista que estuda o Santo Sudário e é tão obcecado pelo trabalho que começa a ter problemas familiares. Seu filho se sente tão negligenciado que cria um amigo imaginário mímico para lidar com a ausência do pai. O texto, músicas e letras são de pessoas com experiência na Broadway tão nula que nem compensa citá-las aqui. Dean Jones, o Bobby do elenco original de Company, era o único grande atrativo, que não foi suficiente para atrair o público após a crítica acabar com o espetáculo. Dean, como um grande religioso, acreditava muito no material e afirmou na época que “o teatro tem que inspirar, elevar o espírito”. Os personagens estavam sempre cantando sobre partículas, moléculas, matéria e antimatéria. As cenas de estudo do Santo Sudário se alternavam com cenas do filho com seu amigo imaginário que surgia da luz e era visível apenas para o público. O espetáculo conseguiu inclusive ofender muitos religiosos, principalmente em uma cena da música “Let There Be Light”, em que freiras, padres e arcebispos dançavam em aprovação ao projeto do estudo do Santo Sudário. Era em momentos como esse que o musical arrancava gargalhadas da plateia, mesmo tendo sido escrito para ser levado a sério e sem nenhuma intenção de ser engraçado. O musical fechou com o prejuízo de 3 milhões de dólares, até então um dos maiores prejuízos que a Broadway já tinha visto. Nenhuma gravação em estúdio foi feita e acredita-se que nenhuma gravação em bootleg sobreviveu ao tempo, ou que ninguém teve o interesse de gravar na época.
Comercial da TV:
Críticas da TV e cenas do musical:
Via Galactica Estreia: 28 de novembro de 1972 Número de sessões: 15 previews e 7 apresentações
Uma forma de identificar um flop: a história é tão confusa que a explicação do enredo precisava vir anexada ao Playbill. O musical Via Galactica foi um espetáculo de ficção cientifica que se passava no ano de 2972 e contava a história de amor de um rapaz por uma rebelde, que pretendia fugir para outro sistema solar. Cabia ao rapaz escolher ficar para sempre na Terra ou fugir com a garota para as estrelas. A história era dividida em dois atos, como todos os outros musicais, mas cada ato foi dividido em 4 partes, o que fazia as pessoas não entenderem a ligação de uma parte com a outra. O texto era tão problemático que faltava algo muito importante, o público sentir empatia ou qualquer sentimento pelos personagens. O musical contava com um nome de peso, Galt MacDermot, responsável pelas composições do musical Hair e também do flop Dude (citado na primeira parte desse artigo). As músicas do espetáculo mantinham o que MacDermot sempre soube fazer bem: rock e country com uma pegada gospel. Mas o que MacDermot nunca esperava ter eram dois fracassos seguidos em um mesmo semestre, aparentemente sem aprender nada com os erros do musical Dude.
Via Galactica era pretencioso, utilizava efeitos visuais que não impactavam o público, muita pirotecnia e projeções, e o palco ainda era composto de várias camas elásticas para dar o efeito de leveza dos corpos no espaço. A produção se vangloriava da gigante estrutura que o palco tinha, utilizando todo o espaço, do chão até o teto do teatro. Durante as previews, vários atores tiveram problemas sérios com todo o aparato cenográfico. Raul Julia, que fazia o mocinho apaixonado, ficou preso numa espaçonave cenográfica sob a orquestra e tiveram que parar o espetáculo por 20 minutos para tirá-lo de lá. Irene Cara, que veio a fazer muito sucesso com o filme Fame anos depois, também teve problemas durante as previews, quando uma das camas elásticas a jogou para fora do palco. Via Galactica foi o espetáculo que inaugurou o Uris Theatre, que hoje é conhecido como Gershwin Theater, onde Wicked faz sucesso desde 2003. Na época, inaugurar um teatro com um grande fracasso era visto pelos proprietários como um perigo para os negócios, algo que hoje em dia já não é uma preocupação. O musical foi o primeiro a perder mais de 1 milhão de dólares, e é outro que jamais teve uma gravação em estúdio da trilha.
The Best Little Whorehouse Goes Public Estreia: 10 de maio de 1994 Número de sessões: 28 previews e 16 apresentações
Se você está acostumado apenas com os grandes sucessos da Broadway, então temos que interromper um pouco antes de falar desse musical. “The Best Little Whorehouse Goes Public” é uma sequência do aclamado “The Best Little Whorehouse in Texas”, que em 1978 foi indicado a 6 Tony Awards e ainda teve uma adaptação cinematográfica em 1982. O musical conta a história real de um prostíbulo no Texas que está aberto há mais de um século, comandado por Mona Stangley, que é fechado após pressão do xerife com influência da mídia local. O filme foi estrelado pela rainha country Dolly Parton, fazendo par com Burt Reynolds. E pasmem! No filme, temos a icônica canção “I Will Always Love You” consagrada por Whitney Houston, que poucos sabem que é originalmente de Dolly Parton. A produção original da Broadway teve 1584 apresentações, ficando 4 anos em cartaz. Mas então, 16 anos após esse grande sucesso, os mesmos criadores, Carol Hall, Larry L. King e Peter Masterson, tiveram a ideia de fazer uma sequência do musical.
Vamos combinar que sequências em musicais não funcionam, algo que Andrew Lloyd Webber aprendeu muito bem recentemente, com Love Never Dies.
A história da continuação é parecida com a original. Mona Stangley é convidada pela Receita Federal a gerenciar um prostíbulo em Las Vegas (onde a prostituição era permitida) para tentar recuperar 26 milhões de impostos. Enquanto isso, um senador da direita conservadora tenta fechar o bordel. As críticas, logicamente, detestaram o espetáculo, não só porque a continuação se parecia muito com o original, mas por ser um musical tedioso, com coreografias exageradas e uma cenografia que parecia ser de segunda mão. A maior parte das críticas falava de uma das músicas de abertura do segundo ato, chamada “Call Me”, em que várias mulheres ficavam em cabines fazendo o serviço de sexo por telefone, enquanto os homens do outro lado da linha estavam em cima dessas cabines, seminus. O musical ficou famoso na época por ser o primeiro e último espetáculo da Broadway a utilizar o recurso de “infomercial” (aqueles comerciais americanos longuíssimos que tentam vender um produto por telefone), que era tão constrangedor quanto o restante do espetáculo. Felizmente, a produção conseguiu lançar uma gravação em estúdio, uma das únicas coisas consideradas boas, já que músicas como “I’m Leaving Texas” e “Change In Me” até hoje são consideradas showstoppers.
Cena da música “Call Me”:
Bring Back Birdie Estreia: 5 de maio de 1981 Número de sessões: 31 previews e 4 apresentações
E voltamos à máxima “NÃO FAÇA CONTINUAÇÕES DE MUSICAIS!”. Bring Back Birdie é a continuação do famoso Bye Bye Birdie, de 1960, estrelado por Chita Rivera e Dick Van Dyke, que foi indicado a 8 Tony Awards, ganhou 4 deles, incluindo o de melhor musical, e teve uma adaptação cinematográfica em 1963. A história original nos apresenta a família MacAfee, que é afetada com a vinda do cantor Conrad Birdie para a sua pacata cidade, na qual Conrad Birdie irá escolher uma garota do seu fã clube para quem cantar a última música antes de se alistar no serviço militar. Já na continuação, Bring Back Birdie, o enredo mostra o que aconteceu com os personagens 20 anos depois. Albert Peterson, que foi o responsável por escrever um dos maiores sucessos de Conrad Birdie, tem uma oferta de 20 mil dólares para se reencontrar com Birdie e convencê-lo a se apresentar no Grammy Awards. Nessa jornada, Rose (Chita Rivera, reprisando o personagem) se junta ao marido Albert em busca de Birdie. Quando Albert encontra Birdie, ele está muito acima do peso e é prefeito de uma pequena cidade no Arizona. No meio dessa caçada ao Birdie, Albert e Rose precisam lidar com a filha rebelde, que foge de casa para entrar num culto Hare Krishna, e os outros filhos que resolvem entrar numa banda punk rock (linda história).
O musical não teve try-outs em outras cidades, estreou diretamente na Broadway, e teve muitas previews caóticas, quando nada parecia funcionar, principalmente o cenário cheio de televisores. Charles Strouse, Lee Adams e Michael Stewart, os criadores originais de Bye Bye Birdie, foram os responsáveis por essa continuação desastrosa, em que nem mesmo o retorno de Chita Rivera à personagem Rose fez as críticas falarem bem do espetáculo. A maior parte das críticas dizia que dava claramente para perceber que as novas músicas eram cópias do musical original. Um exemplo era a música “Moving Out”, a segunda música do primeiro ato, que era cópia da clássica “The Telephone Hour” do original. Na cena original, várias adolescentes fofocam ao telefone e criam uma cena linda em que as conversas são intercaladas. Já na continuação, acontece basicamente a mesma coisa, só que ao invés de usarem telefones com fios, os personagens aparecem com telefones mais modernos, sem fio. Outra crítica também dizia que, em um ponto do espetáculo, parecia que cada ator tinha recebido um libreto diferente, já que nada mais fazia sentido e ninguém se importava com os personagens. No fim das contas, todas as críticas apontaram uma única coisa boa na continuação: o momento do agradecimento final, quando Chita Rivera cantava a música “Rosie”, que encerrava o musical Bye Bye Birdie. Foi uma das soluções encontradas para o público sair pelo menos um pouco satisfeito revendo Chita cantando o showstopper do musical original, que vergonhosamente não era nem anunciado no playbill. O show foi considerado grotesco, de mau gosto, em especial pelas músicas de punk rock, e uma das piores coisas já vistas na Broadway. Na época, as críticas diziam que não fazia sentido algum essa continuação, porque os produtores teriam sido muito mais bem-sucedidos se tivessem simplesmente montado um revival de Bye Bye Birdie. Apesar da curta temporada, o musical recebeu uma gravação em estúdio.
No WikiCast #7, Rafael Nogueira e o convidado Marcos Rinaldi falaram sobre Carrie, um dos musicais favoritos deles e também um dos maiores fracassos da Broadway. Neste episódio, além de conversar sobre todos os detalhes do musical, os dois também falam sobre as diferenças entre as principais produções de Carrie e lembram da montagem brasileira, que esteve em cartaz em 2015. Ouça para entender de onde vem tanto amor e para descobrir por que você precisa conhecer esse musical.
ERRATA: No começo do episódio é dito algumas vezes que a leitura pré Off-Broadway com a Sutton Foster ocorreu em 2001. Na verdade, a leitura ocorreu em 2009.
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Nada é eterno no mundo do teatro musical, nem mesmo a montagem de Phantom of the Opera na Broadway. Muitos musicais esperavam ficar pelo menos alguns anos em cartaz, mas não passaram de meses ou semanas (ou até mesmo dias!). Há alguns fracassos (ou “flops”) da Broadway que foram totalmente esquecidos , enquanto outros são aclamados pelo público até hoje apesar de toda a critica negativa.
Vamos listar aqui apenas cinco dos maiores fracassos da Broadway (apresentados ao público entre os anos 60 e 80), mas que merecem ser lembrados, seja pela qualidade do material, seja por fatores históricos.
Breakfast at Tiffany’s Estreia: nunca teve estreia oficial Número de sessões: 4 previews (12 de dezembro de 1966)
Um dos maiores fracassos da Broadway, que não chegou nem a abrir oficialmente, foi a versão musical do livro e filme A Bonequinha de Luxo. Mesmo com grandes nomes na produção como Bob Merrill (letrista de Funny Girl) e Mary Tyler Moore interpretando a protagonista, o musical já sofria desde os primeiros chamados try-outs, pré-estreias para testes fora de Nova York. O libreto como era no primeiro try-out na Filadélfia foi totalmente descartado e quando o espetáculo chegou a Boston outro libretista foi contratado, fazendo com que o diretor original Abe Burrows (Guys and Dolls e How to Succeed in Business Without Really Trying) também saísse da produção. Quando o musical chegou à Broadway decidiram mudar o nome do espetáculo para Holly Golightly. Durante as previews, pré-estreias antes da estreia oficial, os atores recebiam material novo algumas horas antes da cortina subir. A decisão de fechar a produção foi do produtor David Merrick, que foi até o The New York Times publicar sobre o ocorrido, dizendo preferir fechar a produção a fazer o público perder tempo, mesmo já com grande procura de ingressos. Na última preview, as músicas foram gravadas ao vivo e lançadas em vinil. Em 2001, as composições foram gravadas com alguns atores originais e lançadas em CD pelo selo “Original Cast”, famoso por produzir gravações obscuras de musicais.
Imagens raras de ensaios do Breakfast at Tiffany’s
Dude Estreia: 9 de outubro de 1972 Número de sessões: 16 previews e 16 apresentações
“Foothill” (pé da montanha), um dos setores do teatro que era dividido por ambientes
O que criadores mais almejam após um grande sucesso é criar uma outra obra com as mesmas proporções. Não foi o caso do Galt MacDermot e Gerome Ragni, que em 1967 cocriaram Hair com James Rado. A música de Dude continha a mesma vibe folk e country-rock de Hair, mas o libreto enfadonho não ajudou o musical. Contava a história de Dude, concebido por Adão e Eva após serem persuadidos pelo demônio Zero. Já na juventude, Dude precisa percorrer à “Highway Life” evitando as artimanhas de Zero, que quer possuí-lo. O musical era embalado pelos temas de drogas ilícitas e práticas sexuais e era encenado em um Broadway Theatre totalmente desconstruído para abrigar o musical. O palco no estilo arena, propositalmente cheio de terra, contava com passarelas que levavam até o mezzanino na tentativa de criar diferentes ambientes, como o inferno e o céu. Além disso, os atores eram constantemente elevados para diferentes lugares do teatro, onde ficavam vários microfones pendurados. A produção passou por vários problemas desde seu início, como atores desistindo e troca do ator principal durante previews. Após a estreia, a crítica detonou as falhas de som, já que os instrumentos eram espalhados por vários cantos do teatro, e o fato do espetáculo ser muito alegórico e ter uma história difícil de acompanhar. O musical fechou após 16 apresentações e os produtores tiveram um prejuízo de 800 mil dólares.
Trilha sonora completa do musical Dude
Saravá Estreia: 12 de fevereiro de 1979 Número de sessões: 38 previews e 101 apresentações
Eis aqui um flop da Broadway com uma história bem famosa. Dona Flor é casada com Vadinho e ele é assassinado. Dona Flor casa novamente com Dr. Teo e o fantasma de Vadinho volta para atormentar Dona Flor. Sim, a famosa obra de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, já foi montada na Broadway em formato
Uma das fotos do raro programa de luxo
de musical. Mesmo com Tovah Feldshush, famosa pela peça Yentl no papel de Dona Flor e composições de Mitch Leigh, consagrado pelas músicas de Man of La Mancha, Saravá cometeu o erro de abusar de propagandas que o vendiam como um musical divertido e animado, quando na realidade não era nada disso. O musical teve sua data de estreia adiada três vezes, mas enquanto isso críticas pesadas já
tinham saído nos jornais e fizeram o público não ter interesse pelo show. Os críticos disseram que o musical era vulgar e tinha um toque de amadorismo: para que o público entendesse que o Vadinho visto no palco ao final do primeiro ato era um fantasma, o ator PJ Benjamin passava pelos corredores do teatro sussurrando “boo…”, na tentativa de imitar um fantasma. Outra coisa que não ajudou a produção foi o fato de, logo após a estreia, o musical ter sido transferido do Mark Hellinger Theatre para o Broadway Theatre. As críticas gerais após a estreia foram todas negativas
Comercial usado para divulgar o musical Saravá
Tovah Feldshue cantando duas a música tema do espetáculo
Carrie Estreia: 12 de março de 1988 Número de sessões: 16 previews e 5 apresentações
A rainha maior de todos os flops, Carrie perdeu a quantia de 8 milhões de dólares, o que mesmo hoje, com valores corrigidos, ainda é considerado dos maiores fracassos financeiros da Broadway. Carrie é baseado no livro de Stephen King sobre a garota com poderes de telecinesia que sempre sofreu abuso dos colegas de escola e da mãe fanática religiosa e que acaba por se vingar de todos com seus poderes. Carrie era uma produção da Royal Shakespeare Company de Stratford, Inglaterra, que teve início em fevereiro de 1988 com Linzi Hateley no papel de Carrie e Barbara Cook interpretando a mãe dela, Margaret White. Após a primeira apresentação em Stratford, Barbara Cook decidiu deixar o elenco depois de ser quase decapitada pelo cenário, o que deu espaço à entrada de Betty Buckley, que já tinha feito o filme Carrie (1976) como a professora de educação física. Após a temporada inicial de 4 semanas em Stratford, mesmo com críticas negativas, os produtores resolveram investir oito milhões de dólares para levar a produção inteira para a Broadway. Desde a produção de Stratford até a abertura oficial na Broadway, o roteiro passou por diversas mudanças diárias, chegando a causar tumultos nos
Figurino dos adolescentes de gosto bem duvidoso
bastidores quando os compositores apareciam meia hora antes da cortina subir com uma música nova, exatamente o que aconteceu na noite da primeira preview na Broadway. O fracasso de Carrie se deu por inúmeros fatores, mas basicamente o musical acabou fechando devido à crueldade das críticas especializadas. A atuação de Linzi Hateley e Betty Buckley, juntamente com as composições Dean Pitchford (responsável pela música de sucesso de Fame e Footloose), sempre foram os pontos altos do espetáculo, mas o libreto muito mal escrito, que confundia o público, foi um dos grandes responsáveis pelas críticas negativas. Quem não tinha lido o livro ou visto o filme antes não fazia ideia do que se passava, já que em nenhum momento eram citados os poderes da Carrie. A coreografia de Debbie Allen (coreógrafa do filme e da série de TV Fame) foi excessiva e não casava com a história, muito menos com a música. Os figurinos também não eram coerentes, já que adolescentes jamais usariam as roupas apresentadas que abusavam de elastano e alguns figurinos eram basicamente roupas de toureiro. O cenário mínimo também não ajudava a contar a história e os efeitos especiais eram considerados pobres. A famosa cena da destruição ao final do espetáculo era feito com raio laser vermelho, faíscas e muita gritaria do elenco. Apesar de o musical ter sido massacrado pela crítica, a atriz Betty Buckley sempre conta em entrevistas como era surreal a receptividade ao final de cada espetáculo, as luzes se apagavam e as pessoas começavam a vaiar, mas no instante em que todos voltavam para os agradecimentos, o teatro vinha abaixo com o público ovacionando de pé. Com isso, após o anúncio do encerramento após somente 5 apresentações o musical se tornou cult, pois era o ingresso mais desejado da Broadway e também por todas as questões negativas que fizeram as pessoas correrem para conseguir os últimos ingressos.
Nos anos 2000, os criadores envolvidos voltaram a trabalhar no musical , reescrevendo o libreto e compondo novas canções. Apenas em 2012 Carrie teve uma segunda chance, com seu primeiro revival Off-Broadway, já com todas as mudanças feitas. Após esse revival, os direitos do espetáculo foram colocados à venda e nos dias de hoje Carrie é considerado um dos musicais favoritos para se montar em escolas.
Betty Buckley e Linzi Hately fazendo jus aos personagens e a história
na embelmática “And Eve Was Weak”
Chess Estreia: 28 de abril de 1988 Número de sessões: 17 previews e 68 apresentações
David Carroll e Judy Kuhn na proudção original da Broadway
Ter um “concept album” e singles que estouraram nas paradas britânicas e até nas americanas não é exatamente a fórmula do sucesso. Em 1984, o álbum Chess de Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Tim Rice entrou rapidamente na lista de álbuns mais vendidos no Reino Unido, juntamente com os singles “I Know Him So Well” e “One Night in Bangkok” (que chegou a ficar em terceiro lugar na Billboard americana). Mesmo com o sucesso da montagem original do West End que ficou três anos em cartaz, entre 1986 a 1989, o pior dos erros desse musical não foi ser levado à Broadway, mas sim a tentativa de reformulá-lo para o público americano .
Para a versão americana, o dramaturgo Richard Nelson foi convidado para reescrever a história, e ele não teve misericórdia alguma com o musical original. Na história original, os Estados Unidos perdiam para a União Soviética em um campeonato de xadrez, ou seja, havia a preocupação de não ferir o ego dos americanos apresentando a história dessa forma. Mas não foi apenas isso que mudou. Foram acrescentadas músicas novas, personagens novos e diversas subtramas que deixaram o musical maior do que já era no West End. Enquanto na versão original londrina a produção era praticamente sung-through (toda cantada), na versão americana um terço do espetáculo era falado, em um esforço de explicar toda a história. Muitos acreditam que a melhor coisa acrescentada à versão americana foi a música “Someone Else’s Story”, que até hoje é considerado o melhor solo feminino do musical.
A noite da primeira preview foi praticamente catastrófica. O musical teve 4 horas de duração, duas horas cada ato, com 90 minutos de intervalo devido a problemas no cenário, que era um dos mais tecnológicos da época. Na noite de estreia, o musical já havia sido reduzido para 3 horas e 15 minutos. Chess sempre teve 80% da capacidade do teatro vendido, o que não era ruim, mas a maioria dos ingressos era vendida por valores especiais e reduzidos, de forma que, mesmo se o teatro estivesse lotado todas as noites, não seria possível pagar os gastos com o espetáculo. Após o fracasso na Broadway, Chess nunca mais foi remontado no West End ou na Broadway de forma completa, sempre sendo apresentado no formato “in concert”. A versão da Broadway foi totalmente esquecida e poucos elementos, como a música “Someone Else’s Story”, foram adicionados à versão existente hoje.
Está estreando o quadro Especial Cast do Musical Cast. Nesse episódio mais compacto, estamos batendo papo com a atriz Luciana Artusi sobre o musical Carrie que está estreando no Teatro Augusta no dia 03 de Junho de 2015.
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