#33 – Girl Power na Broadway

🎶”Alene, Andreeeeeeeeeeessa, and Letícia!”🎶, as meninas do Musical Cast, recebem a convidada Mariana Carrozzino para discutir a representação da mulher na Broadway. Sim, você leu certo! Nesse episódio especial para o Dia Internacional da Mulher, o primeiro episódio da história do Musical Cast sem homem nenhum pra dar pitaco, quem manda são elas! Os temas dessa conversa descontraída são a evolução da representação da mulher nos musicais ao longo das décadas, musicais com temas feministas, grandes personagens mulheres e a quantas anda a presença feminina na Broadway atual. Prepare seu “WORK!” e vem ouvir quem realmente comanda o mundo.

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Refúgio – O Musical

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Após o sucesso da primeira temporada, em 2016, Refúgio – O Musical volta aos palcos no Teatro União Cultural, em São Paulo. O espetáculo conta com uma temática LGBT e debate assuntos como descoberta, aceitação e realizações de sonhos numa atmosfera que só o teatro Off-Broadway poderia proporcionar. O musical tem tudo para amantes de teatro convencional e musical saírem leves, e com a certeza de que valeu a pena passar quase duas horas no teatro, já que Refúgio explora muito bem o texto em momentos que não há música, enquanto, em momentos musicais, o sentimento dos personagens transparece nas canções originais que se encaixam perfeitamente na história.

Confira a entrevista que fizemos com o diretor do espetáculo, Alexandre Biondi, em que ele fala sobre o musical e a importância de temas LGBT no teatro.

 

FICHA TÉCNICA
Texto – Alexandre Biondi
Adaptação – Alexandre Biondi e Bruno Bossio
Direção – Alexandre Biondi
Direção Musical e Música Original – Vitor Moutte e Kaio Nobre
Elenco – André Sakajiri / Bia Malagueta / Chico Neto / Denise Machado / Lilian Borges / Luma Gouveia / Thiago Schreiter / Waldírio Castro
Músicos – Fábio Petru e Vitor Moutte
Produção Executiva – Alexandre Biondi e Júlio César Rocha
Assistente de Produção – Yasmim Damasceno
Design de Som – Sérgio Luiz
Design de Luz – Rodrigo Souza
Operador de Luz – Wagner Santoro
Fotos – Wagner Santoro e Vitor Moutte
Design Gráfico – Vitor Moutte e André Sakajiri
Assessoria de Imprensa – Marcelo Cabral e André Sakajiri
Realização – Actuare Produções

SERVIÇO
Sextas-feiras às 21h
Teatro União Cultural – Rua Mário Amaral, 209 – Paraíso – São Paulo-SP
Telefone: (11) 2148-2900
Bilheteria do teatro – quarta a sábado das 14hs às 21hs, domingo das 14hs às 20hs Fechado para almoço das 16h30 às 17h30.
Ingressos: R$60,00 (inteira) e R$30,00 (meia)
Duração: 90 minutos Gênero: Musical[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row][vc_row][/vc_row]

Minha Jornada para Falsettoland

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ATO I
Four Jews in a Room Bitching

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Thrill of First Love

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Marvin at the Psychiatrist (A Three-Part Mini-Opera)

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I’m Breaking Dow

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March of the Falsettos

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Father to Son

Matthew-McConaughey

ATO II
Welcome to Falsettoland

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A Day in Falsettoland

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Something Bad Is Happening

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Days Like This

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Unlikely Lovers

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You Gotta Die Sometime

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What Would I Do?

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Falsettoland (Reprise)

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Conclusão:

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Apesar da brincadeira acima, eu quero falar sério sobre Falsettos. Afinal, mesmo sendo uma comédia musical, a obra ainda trata de temáticas sérias e possui uma mensagem muito importante: a aceitação.
Para quem não conhece e se interessou, Falsettos é o mais recente revival de uma trilogia de peças Off-Broadway que começou em 1979 com In Trousers, seguida por March of the Falsettos (1981) e terminando com Falsettoland (1990). A trilogia conta a história de Marvin, que aceita sua orientação sexual na vida adulta e precisa lidar com as mudanças que isso vai trazer para sua vida e a de sua família, já que ele, além de ser casado, tem um filho de 12 anos.
Na montagem mais recente da peça, a primeira parte da trilogia foi eliminada (com exceção de uma música) e as duas partes restantes são apresentadas como uma única peça de 2 atos. O revival foi aclamado pela crítica teatral e atualmente é o grande favorito para a categoria de Melhor Revival no Tony desse ano.
E isso é muito fácil de compreender: as composições de William Finn são marcantes, suas letras são ácidas e ele consegue balancear doçura e ferocidade naturalmente. Em raros casos a fórmula “você vai rir e chorar” está tão bem representada.
Junte a isso a mensagem que mencionei no começo, sobre aceitação. Mais do que aceitar uma orientação sexual, Falsettos fala sobre se aceitar como ser humano, como mãe, como filho, como amante. Sem entrar em detalhes, acredito ser uma peça sobre personagens, em que apenas eles importam: seu crescimento, seu desenvolvimento e sua busca por uma identidade e posição na vida.
A última performance da peça foi filmada e será exibida em breve na televisão americana. Enquanto isso, o que nos resta é escutar essa trilha maravilhosa e nos emocionar com essa linda história sobre cada um de nós.

  

#32 – Os Musicais Que Mudaram a Broadway – Ato II

Para quem gostou do episódio #31, o papo continua no episódio #32, “Os Musicais que Mudaram a Broadway – Ato II”! Agora, os musicais abordados pelo Rafael, Julio Cézar, Alene e Alexandre são todos que vieram depois de Hair, a partir dos anos 1970. Venha conhecer todos os musicais que fizeram a diferença na Broadway nas últimas décadas e ouvir nossas opiniões sobre eles! Será que seu preferido está entre eles? Esse episódio ainda terá uma terceira parte, o que será que nos aguarda?

Trailer do documentário “Every Little Step” comentado no episódio.

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La La Land: Mais que um filme, uma experiência

Falar de La La Land é falar da história de Hollywood. O filme de Damien Chazelle, que vem impressionando plateias pelo mundo todo, consegue entrar para a história do cinema desde sua concepção inicial.

Na década de 1970, com a baixa moral americana causada pela guerra, o cinema musical foi perdendo seu espaço nas salas de cinema para dar lugar a filmes mais viscerais e realistas, que refletiam o estado de espírito da sociedade da época. Por diversas vezes houve a tentativa de retomar o gênero, mas em meio a produções de baixa qualidade ou desinteresse do público, o cinema musical ficou restrito a um nicho. Conhecendo essa história, é impressionante pensar que em algum momento Chazelle resolveu que, em uma das épocas mais instáveis e de baixa moral das últimas décadas, a solução talvez fosse reviver aquela alegria de outrora.

Em um cenário repleto de notícias de instabilidade política, loucos governantes e ataques terroristas, somos presenteados com 120 minutos em um mundo colorido de esperança, amor e poesia e é exatamente disso que precisávamos. Damien sabe tão bem o que está fazendo que ainda alivia nossa transição na cena inicial com uma tomada contínua das rádios dos carros sendo abafadas pela melodia alegre que estaria para começar.

Essas cenas contínuas (ou planos-sequência), que não são só uma marca do longa, mas de todos os musicais da era de ouro, representam também uma retomada artística e estética do que no passado tornou o gênero tão popular. Quando os primeiros musicais teatrais começaram a tomar o cinema, existia um grande debate sobre a dificuldade de se adaptar grandes números para a tela. A solução na época foi evitar cortes e manter um plano geral aberto, na tentativa de simular nossa visão em um teatro. Com o passar dos anos e a mudança do cinema, os números musicais foram ganhando cortes, ângulos fechados que escondem o cenário (cof cof les mis cof cof) e as câmeras digitais finalmente conseguiram dar a cara do cinema contemporâneo aos musicais.

Até La La Land chegar e nos relembrar que o que era feito antigamente tinha seu valor e, na maioria das vezes, muito mais sentimento. E sentimento é a base dessa obra que conta uma história de amor ao mesmo tempo em que nos explica o que é o jazz na sua própria trama. Preste atenção na explicação que Sebastian dá para Mia sobre como funciona o jazz, ele está apenas nos contando a história do filme que estamos vendo, do começo ao fim.

Mas a obra não estaria completa sem a linda música de Justin Hurwitz, responsável também pela trilha incrível de Whiplash, e pelas letras da dupla teatral Pasek e Paul. As canções do trio vão nos carregando a cada estação da história e crescendo junto com o relacionamento dos personagens, quase como se tudo fosse orquestrado para encontrar pontos emocionais em cada um de nós.

Além disso, foi muito bem planejado o uso de referências pelo filme, não só cinematográficas, mas também teatrais. Por toda a internet já existem diversos vídeos e matérias comparando cenas e temas com filmes e composições da era de ouro, demonstrando outro grande trunfo da produção: conseguir remeter sutilmente ao fator nostalgia em cada um de nós ao mesmo tempo em que apresenta algo novo e vivo.

E as atuações de Emma Stone e Ryan Gosling contribuem muito para isso, já que os dois representam essa nova face do cinema: jovens talentosos e comprometidos que querem ser melhores profissionais, que estão dispostos a aprender piano, sapateado, canto e o que mais precisarem para contar uma história.

La La Land resgata o passado para trazer aquilo que pode ser o futuro do cinema, e tudo isso vindo das mãos de um jovem diretor, produzindo apenas seu segundo filme.

Não concorda comigo? Acha que é muito barulho por pouca coisa? Não tem problema, cada um tem seu gosto e seu momento, e nem tudo toca a todos da mesma forma, mas peço apenas uma coisa. Se puder, tente ver La La Land como todos devemos assistir a filmes: desligando-se do mundo exterior e focando apenas no que está acontecendo na tela. Quem sabe se desprendendo do mundo, você possa deixar o seu tolo sonhador voar.

Já viu o filme? Então aproveite e reviva essa trilha maravilhosa no player abaixo:

#31 – Os Musicais Que Mudaram a Broadway – Ato I

Ao longo da história da Broadway e do teatro musical, algumas obras marcaram o gênero, mudando muito do que era feito até então e sendo precursoras de inovações que se tornariam o novo normal. Nesse episódio, o Rafael, o Julio, a Alene e o Alexandre começam uma conversa descontraída sobre os musicais mais marcantes e inovadores ao longo de diferentes gerações e debatem por que cada um deles foi tão importante para o teatro musical como conhecemos hoje. Mas o papo foi tão bom que o que seria um só episódio virou dois. No “Musicais que mudaram a Broadway – Ato I”, falamos sobre os espetáculos mais marcantes escritos entre a década de 30 e a década de 60.

Musicais citados nesse episódio:

The Black Crook / The Pirates of Penzance (Ópera) / Show Boat / O Munda da Fantasia (There’s No Business like Show Business) / Oklahoma! / Carroussel / Pal Joey / West Side Story / Hair

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Os Grandes Flops da Broadway, parte 1

Nada é eterno no mundo do teatro musical, nem mesmo a montagem de Phantom of the Opera na Broadway. Muitos musicais esperavam ficar pelo menos alguns anos em cartaz, mas não passaram de meses ou semanas (ou até mesmo dias!). Há alguns fracassos (ou “flops”) da Broadway que foram totalmente esquecidos , enquanto outros são aclamados pelo público até hoje apesar de toda a critica negativa.
Vamos listar aqui apenas cinco dos maiores fracassos da Broadway (apresentados ao público entre os anos 60 e 80), mas que merecem ser lembrados, seja pela qualidade do material, seja por fatores históricos.

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Breakfast at Tiffany’s
Estreia: nunca teve estreia oficial
Número de sessões: 4 previews (12 de dezembro de 1966)

Um dos maiores fracassos da Broadway, que não chegou nem a abrir oficialmente, foi a versão musical do livro e filme A Bonequinha de Luxo. Mesmo com grandes nomes na produção como Bob Merrill (letrista de Funny Girl) e Mary Tyler Moore interpretando a protagonista, o musical já sofria desde os primeiros chamados try-outs, pré-estreias para testes fora de Nova York. O libreto como era no primeiro try-out na Filadélfia foi totalmente descartado e quando o espetáculo chegou a Boston outro libretista foi contratado, fazendo com que o diretor original Abe Burrows (Guys and Dolls e How to Succeed in Business Without Really Trying) também saísse da produção. Quando o musical chegou à Broadway decidiram mudar o nome do espetáculo para Holly Golightly. Durante as previews, pré-estreias antes da estreia oficial, os atores recebiam material novo algumas horas antes da cortina subir. A decisão de fechar a produção foi do produtor David Merrick, que foi até o The New York Times publicar sobre o ocorrido, dizendo preferir fechar a produção a fazer o público perder tempo, mesmo já com grande procura de ingressos. Na última preview, as músicas foram gravadas ao vivo e lançadas em vinil. Em 2001, as composições foram gravadas com alguns atores originais e lançadas em CD pelo selo “Original Cast”, famoso por produzir gravações obscuras de musicais. 

Imagens raras de ensaios do Breakfast at Tiffany’s

 


dude_playbillDude

Estreia: 9 de outubro de 1972
Número de sessões: 16 previews e 16 apresentações

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“Foothill” (pé da montanha), um dos setores do teatro que era dividido por ambientes

O que criadores mais almejam após um grande sucesso é criar uma outra obra com as mesmas proporções. Não foi o caso do Galt MacDermot e Gerome Ragni, que em 1967 cocriaram Hair com James Rado. A música de Dude continha a mesma vibe folk e country-rock de Hair, mas o libreto enfadonho não ajudou o musical. Contava a história de Dude, concebido por Adão e Eva após serem persuadidos pelo demônio Zero. Já na juventude, Dude precisa percorrer à “Highway Life” evitando as artimanhas de Zero, que quer possuí-lo. O musical era embalado pelos temas de drogas ilícitas e práticas sexuais e era encenado em um Broadway Theatre totalmente desconstruído para abrigar o musical. O palco no estilo arena, propositalmente cheio de terra, contava com passarelas que levavam até o mezzanino na tentativa de criar diferentes ambientes, como o inferno e o céu. Além disso, os atores eram constantemente elevados para diferentes lugares do teatro, onde ficavam vários microfones pendurados. A produção passou por vários problemas desde seu início, como atores desistindo e troca do ator principal durante previews. Após a estreia, a crítica detonou as falhas de som, já que os instrumentos eram espalhados por vários cantos do teatro, e o fato do espetáculo ser muito alegórico e ter uma história difícil de acompanhar. O musical fechou após 16 apresentações e os produtores tiveram um prejuízo de 800 mil dólares.

Trilha sonora completa do musical Dude

 

sarava_posterSaravá
Estreia: 12 de fevereiro de 1979
Número de sessões: 38 previews e 101 apresentações

Eis aqui um flop da Broadway com uma história bem famosa. Dona Flor é casada com Vadinho e ele é assassinado. Dona Flor casa novamente com Dr. Teo e o fantasma de Vadinho volta para atormentar Dona Flor. Sim, a famosa obra de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, já foi montada na Broadway em formato

Uma das fotos do raro programa de luxo
Uma das fotos do raro programa de luxo

de musical. Mesmo com Tovah Feldshush, famosa pela peça Yentl no papel de Dona Flor e composições de Mitch Leigh, consagrado pelas músicas de Man of La Mancha, Saravá cometeu o erro de abusar de propagandas que o vendiam como um musical divertido e animado, quando na realidade não era nada disso. O musical teve sua data de estreia adiada três vezes, mas enquanto isso críticas pesadas já

tinham saído nos jornais e fizeram o público não ter interesse pelo show. Os críticos disseram que o musical era vulgar e tinha um toque de amadorismo: para que o público entendesse que o Vadinho visto no palco ao final do primeiro ato era um fantasma, o ator PJ Benjamin passava pelos corredores do teatro sussurrando “boo…”, na tentativa de imitar um fantasma. Outra coisa que não ajudou a produção foi o fato de, logo após a estreia, o musical ter sido transferido do Mark Hellinger Theatre para o Broadway Theatre. As críticas gerais após a estreia foram todas negativas

 


Comercial usado para divulgar o musical Saravá


Tovah Feldshue cantando duas a música tema do espetáculo
 

 

carrieposterCarrie
Estreia: 12 de março de 1988
Número de sessões: 16 previews e 5 apresentações

A rainha maior de todos os flops, Carrie perdeu a quantia de 8 milhões de dólares, o que mesmo hoje, com valores corrigidos, ainda é considerado dos maiores fracassos financeiros da Broadway. Carrie é baseado no livro de Stephen King sobre a garota com poderes de telecinesia que sempre sofreu abuso dos colegas de escola e da mãe fanática religiosa e que acaba por se vingar de todos com seus poderes.
Carrie era uma produção da Royal Shakespeare Company de Stratford, Inglaterra, que teve início em fevereiro de 1988 com Linzi Hateley no papel de Carrie e Barbara Cook interpretando a mãe dela, Margaret White. Após a primeira apresentação em Stratford, Barbara Cook decidiu deixar o elenco depois de ser quase decapitada pelo cenário, o que deu espaço à entrada de Betty Buckley, que já tinha feito o filme Carrie (1976) como a professora de educação física. Após a temporada inicial de 4 semanas em Stratford, mesmo com críticas negativas, os produtores resolveram investir oito milhões de dólares para levar a produção inteira para a Broadway. Desde a produção de Stratford até a abertura oficial na Broadway, o roteiro passou por diversas mudanças diárias, chegando a causar tumultos nos

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Figurino dos adolescentes de gosto bem duvidoso

bastidores quando os compositores apareciam meia hora antes da cortina subir com uma música nova, exatamente o que aconteceu na noite da primeira preview na Broadway. O fracasso de Carrie se deu por inúmeros fatores, mas basicamente o musical acabou fechando devido à crueldade das críticas especializadas. A atuação de Linzi Hateley e Betty Buckley, juntamente com as composições Dean Pitchford (responsável pela música de sucesso de Fame e Footloose), sempre foram os pontos altos do espetáculo, mas o libreto muito mal escrito, que confundia o público, foi um dos grandes responsáveis pelas críticas negativas. Quem não tinha lido o livro ou visto o filme antes não fazia ideia do que se passava, já que em nenhum momento eram citados os poderes da Carrie. A coreografia de Debbie Allen (coreógrafa do filme e da série de TV Fame) foi excessiva e não casava com a história, muito menos com a música. Os figurinos também não eram coerentes, já que adolescentes jamais usariam as roupas apresentadas que abusavam de elastano e alguns figurinos eram basicamente roupas de toureiro. O cenário mínimo também não ajudava a contar a história e os efeitos especiais eram considerados pobres. A famosa cena da destruição ao final do espetáculo era feito com raio laser vermelho, faíscas e muita gritaria do elenco. Apesar de o musical ter sido massacrado pela crítica, a atriz Betty carrie2Buckley sempre conta em entrevistas como era surreal a receptividade ao final de cada espetáculo, as luzes se apagavam e as pessoas começavam a vaiar, mas no instante em que todos voltavam para os agradecimentos, o teatro vinha abaixo com o público ovacionando de pé. Com isso, após o anúncio do encerramento após somente 5 apresentações o musical se tornou cult, pois era o ingresso mais desejado da Broadway e também por todas as questões negativas que fizeram as pessoas correrem para conseguir os últimos ingressos.

Nos anos 2000, os criadores envolvidos voltaram a trabalhar no musical , reescrevendo o libreto e compondo novas canções. Apenas em 2012 Carrie teve uma segunda chance, com seu primeiro revival Off-Broadway, já com todas as mudanças feitas. Após esse revival, os direitos do espetáculo foram colocados à venda e nos dias de hoje Carrie é considerado um dos musicais favoritos para se montar em escolas.

 

Betty Buckley e Linzi Hately fazendo jus aos personagens e a história
na embelmática “And Eve Was Weak”
 

 

chessbroadwayChess
Estreia: 28 de abril de 1988
Número de sessões: 17 previews e 68 apresentações

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David Carroll e Judy Kuhn na proudção original da Broadway

Ter um “concept album” e singles que estouraram nas paradas britânicas e até nas americanas não é exatamente a fórmula do sucesso. Em 1984, o álbum Chess de Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Tim Rice entrou rapidamente na lista de álbuns mais vendidos no Reino Unido, juntamente com os singles “I Know Him So Well” e “One Night in Bangkok” (que chegou a ficar em terceiro lugar na Billboard americana). Mesmo com o sucesso da montagem original do West End que ficou três anos em cartaz, entre 1986 a 1989, o pior dos erros desse musical não foi ser levado à Broadway, mas sim a tentativa de reformulá-lo para o público americano .
Para a versão americana, o dramaturgo Richard Nelson foi convidado para reescrever a história, e ele não teve misericórdia alguma com o musical original. Na história original, os Estados Unidos perdiam para a União Soviética em um campeonato de xadrez, ou seja, havia a preocupação de não ferir o ego dos americanos apresentando a história dessa forma. Mas não foi apenas isso que mudou. Foram acrescentadas músicas novas, personagens novos e diversas subtramas que deixaram o musical maior do que já era no West End. Enquanto na versão original londrina a produção era praticamente sung-through (toda cantada), na versão americana um terço do espetáculo era falado, em um esforço de explicar toda a história. Muitos acreditam que a melhor coisa acrescentada à versão americana foi a música “Someone Else’s Story”, que até hoje é considerado o melhor solo feminino do musical. 
A noite da primeira preview foi praticamente catastrófica. O musical teve 4 horas de duração, duas horas cada ato, com 90 minutos de intervalo devido a problemas no cenário, que era um dos mais tecnológicos da época. Na noite de estreia, o musical já havia sido reduzido para 3 horas e 15 minutos. Chess sempre teve 80% da capacidade do teatro vendido, o que não era ruim, mas a maioria dos ingressos era vendida por valores especiais e reduzidos, de forma que, mesmo se o teatro estivesse lotado todas as noites, não seria possível pagar os gastos com o espetáculo. Após o fracasso na Broadway, Chess nunca mais foi remontado no West End ou na Broadway de forma completa, sempre sendo apresentado no formato “in concert”. A versão da Broadway foi totalmente esquecida e poucos elementos, como a música “Someone Else’s Story”, foram adicionados à versão existente hoje.

Imagens promocionais do musical Chess na Broadway
 

Conheça mais sobre o elenco de Les Misérables, da T4F

Na semana passada, a T4F divulgou o elenco completo de Les Misérables, que entrará em cartaz no Teatro Renault a partir de março deste ano. Uma surpresa positiva para a maioria dos fãs, o elenco está repleto de diversidade racial, assim como aconteceu no último revival do espetáculo na Broadway (2014), e conta com velhos conhecidos do público e um bom número de novos rostos para quem já acompanha o gênero.

A grande surpresa é encontrar um ator espanhol fazendo Jean Valjean, Daniel Diges (montagens espanholas de We Will Rock You, Mamma Mia!, A Bela e a Fera), que recentemente interpretou o papel na turnê do espetáculo na Espanha e foi convidado pela equipe internacional a reprisar o papel no Brasil. O antagonista, Javert, é interpretado por Nando Pradho (Miss Saigon, O Médico e o Monstro, O Fantasma da Ópera), enquanto a sofredora Fantine será Kacau Gomes (O Médico e o Monstro, Beatles num Céu de Diamantes, Love Story). Filipe Bragança (Meninos e Meninas, Eu Fico Loko) é Marius, Clara Verdier (O Despertar da Primavera, As Bruxas de Eastwick) é Cosette, Pedro Caetano (Priscilla, O Rei Leão) é Enjolras, Laura Lobo (O Despertar da Primavera, A Família Addams) é Eponine, Ivan Parente (A Madrinha Embriagada, O Homem de La Mancha, Mulheres à beira de um ataque de nervos) é Thenardier e Andrezza Massei (Mamma Mia!, Priscilla, Wicked) é Madame Thenardier.

No ensemble estão as pessoas já conhecidas no meio e por quem acompanha o teatro musical Cássia Raquel (Hair, Milton Nascimento – Nada será Como Antes, Beatles num Céu de Diamantes), Leticia Soares (O Rei Leão, Mudança de Hábito), Raquel Antunes (Mudança de Hábito, Cinderella), Roberta Jafet (Wicked, A Família Addams), Lais Lenci (Nine, Os Saltimbancos Trapalhões), Camilla Marotti (Nine, Os Saltimbancos Trapalhões), Gabriel Falcão (O Despertar da Primavera, Quase Normal), Jessé Scarpellini (A Madrinha Embriagada, Wicked), Douglas Tholedo (Mudança de Hábito, Meu Amigo Charlie Brown), Leo Wagner (Priscilla, Wicked), Max Grácio (O Rei Leão, Rent), Bruno Sigrist (O Despertar da Primavera, Mudança de Hábito), Rodrigo Negrini (Cabaret, Wicked),  Vânia Canto (Chaplin, Wicked), Thiago Lemmos (Into The Woods, Os 10 Mandamentos) e Fellipe Guadanucci (Mamma Mia!, O Homem de La Mancha) e os novos rostos, pelo menos para o grande público, Lara Suleiman, Pâmela Rossini, Luíza Lapa, Davi Barbosa, Lucas Cândido, Vitor Moresco, Diego Velloso e Henrique Moretzsohn. A equipe do Musical Cast fica muito feliz em ver esse elenco tão variado, miscigenado e heterogêneo com tanta gente nova e desejamos muita merda nessa temporada.

Completam o elenco as crianças Ashley Bernardi, Isa Cavalcante e Luíza Nery como Cosette; Gabrielly Saiury, Sophia Lins e Taby Carvalho como Eponine e Matheus Leandro, Nicolas Cruz e Lorenzo Tarantelli como Gavroche.

 

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Precisamos falar sobre Dear Evan Hansen

O ano de 2017 mal começou, mas tudo indica que este será o ano de Pasek e Paul. No dia 8 de janeiro, os dois receberam um Globo de Ouro pelo trabalho nas canções de La La Land, filme de Damien Chazelle que aparenta ser o grande favorito para o Oscar. Mas enquanto todas as atenções estavam focadas no trabalho cinematográfico da dupla, um modesto e intimista musical ia tomando a cena teatral de Nova York.

Após um breve período em cartaz no Off-Broadway, estreava na Broadway em 4 de dezembro Dear Evan Hansen, um musical original com letra e música de Pasek e Paul, libreto de Steven Levenson e direção de Michael Greif (Rent e Next to Normal).

Na peça é contada a história de Evan Hansen (Ben Platt), um adolescente que sofre de problemas de ansiedade e se considera invisível entre seus colegas de escola até que o suicídio de um estudante faz com que as atenções se voltem para ele.

Sem entrar em muitos detalhes, para preservar as surpresas, o que se desenrola a partir daí é uma história de superação, aceitação e principalmente de busca por identidade. Podem parecer temas batidos, mas são tratados de uma maneira tão verdadeira e íntima que, mesmo sem ter passado pelas situações vividas pelos personagens, é impossível não se deixar tocar por composições como Waving Through a Window, que refletem a perfeita transposição para uma canção de como é viver com transtorno de ansiedade social.

Não podemos deixar de citar o incrível elenco formado por Ben Platt (The Book of Mormon, Pitch Perfect), que empresta sua doçura ao papel principal, Rachel Bay Jones (Pippin) como a mãe de Evan e Laura Dreyfuss (Once, Glee) como a “dream girl” de Evan.

Desde sua estreia o musical vem sendo elogiado e citado como o grande favorito para o Tony desse ano, além de ser classificado como o “Rent dessa geração” já que, assim como aconteceu em 1996, Dear Evan Hansen trata dos problemas dos jovens atuais, seus medos e suas paixões de uma maneira única, passando uma sensação de frescor e renovação.

Respeitando o passado e olhando para o futuro, Dear Evan Hansen é o teatro musical apresentando a geração Z (centennials) para as gerações anteriores, na tentativa de criar empatia, união e passar uma mensagem de amor… mais ou menos como Rent fez 21 anos atrás.

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Para quem ficou curioso, separamos vídeos com apresentações de algumas das músicas do espetáculo. A trilha completa será lançada no dia 3 de fevereiro. Dear Evan Hansen está em cartaz na Broadway, no Music Box Theatre.

 

“4 Faces do Amor” volta ao Rio

O musical “4 Faces do Amor”, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira 2016 de Melhor Autor (Eduardo Bakr) e indicado em 4 categorias no Prêmio Musical Cast, está voltando aos palcos do Rio de Janeiro depois de uma temporada de sucesso em São Paulo.
O musical dirigido por Tadeu Aguiar e com músicas de Ivan Lins, tem toda a atmosfera de um musical Off-Broadway e conta a história de amor dos personagens Cacau e Duda que são interpretados por Amanda Costa, André Dias, Cristiano Gualda e Sabrina Korgut.
O texto de Eduardo Bakr, que é um dos pontos mais altos do musical, com a atuação afiada dos atores, fazem desse espetáculo de 90 minutos uma noite inesquecível no teatro.

As 16 canções de 4 Faces do Amor (a maioria não está entre as mais conhecidas de Ivan Lins) são Pontos Cardeais, Acaso, O Tempo me Guardou Você, Vieste, Vitoriosa, Velas Içadas, Doce Presença, Por Toda Minha Vida, Daquilo que eu Sei, Bilhete, Iluminados, Choro das Águas, Amor, Começar de Novo, Os Olhos do Meu Amor e O Amor é meu País.

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Duração: 90 minutos
Classificação etária: 10 anos
Assistência de direção: Flavia Rinaldi
Cenário: Edward Monteiro
Figurino: Ney Madeira e Dani Vidal
Iluminação: Rogério Wiltgen
Designer de som: Bruno Pinho

Músicos:
Liliane Secco [piano], Anderson Pequeno [violino] e Fabio Almeida [violoncelo]

Coordenação de produção: Norma Thiré
Produção: Estamos Aqui Produções Artísticas

Serviço:
Theatro Net Rio
Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana
(21) 2147-8060

Terça e Quarta, 21hs
R$ 60 e R$ 30
De 10 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2017
614 lugares

Compras de ingresso pelo site do Ingresso Rápido.

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10 motivos para você se viciar agora em Hamilton

Por Roberta Lessa

Se você não estava escondido debaixo de uma pedra durante a última cerimônia de entrega dos Grammys, em fevereiro deste ano, já deve ter ouvido falar pelo menos uma vez em Hamilton, a nova sensação do teatro musical americano, principalmente entre o público jovem.

Esbarrei com o musical pela primeira vez nesta ocasião, quando o elenco, que concorria na categoria de Melhor Trilha Sonora, apresentou o número inicial do show, transmitido ao vivo pela premiação. Fiquei de fevereiro a junho para pesquisar mais sobre esta performance, que foi a que mais me chamou à atenção durante a premiação, mas, quando resolvi corri atrás, foi um caminho sem volta: foram três meses de completa fascinação e obsessão pelo musical, tão imersa a ponto de ficar totalmente alheia a qualquer outro tipo de arte ou entretenimento durante todo esse período.

Demorei esse tempo todo também para conseguir resumir em apenas 10 itens (será mesmo?) as razões pelas quais todo amante da cultura pop deveria estar surtando por essa obra de arte.

 

O contexto

Você não vai saber lidar com tanta representatividade envolvida

 

Imagine um musical sobre a vida e carreira de uma das mais desconhecidas figuras políticas americanas, o primeiro Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Alexander Hamilton. Já parece chato e meio sem noção mesmo que você goste de musicais ou de história, mas e se eu te dissesse que até os maiores haters desses dois elementos estão caindo de amores pela peça, principalmente o público jovem, que não tem tanta familiaridade com frequentar a Broadway?

Isso aconteceu porque os jovens americanos se encantaram com a proposta do musical: a América como ela foi, contada pela América como ela é agora. De forma pioneira, Hamilton assim como seu antecessor “In the Heights” é um musical broadwayano a ser inteiramente cantado em rap, hip-hop, R&B, dancehall e outros ritmos muito distantes do tradicional repertório do centro teatral mais famoso do mundo.

 

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Por ser preenchido por gêneros musicais geralmente compostos e cantados por artistas não brancos, nada mais justo do que refletir essa escolha artística no elenco: pela primeira vez, temos atores negros ou latinos interpretando ícones historicamente brancos, como o próprio Hamilton (Lin-Manuel Miranda), o primeiro presidente americano George Washington (Christopher Jackson) e Thomas Jefferson (Daveed Diggs). Na verdade, todos os membros do elenco são não-brancos, exceto o rei da Inglaterra à época, George III, por motivos justamente caricaturais.

E isso não é apenas temporário, é uma exigência do próprio criador que todas as versões feitas, em todas as cidade e países e formatos, sigam esta recomendação durante a escalação dos atores. Que forma melhor de atrair a juventude do que transbordando representatividade, fazendo com que ela se sinta, pela primeira vez, parte da história da fundação de seu próprio país?

 

As músicas

O caminho sem volta de escutar a trilha sonora

O tópico mais importante, creio eu, afinal, sem músicas não há musical. Como nesse caso a prática faz mais efeito que a teoria, já vou embutindo aqui a playlist do Spotify com a trilha-sonora inteira para que você possa ouvir – mas só depois de terminar a lista toda. Hã!

Para quem é dos inglês, o site Genius tem praticamente um dossiê com o significado de cada um dos 8343219765 versos da trilha sonora. Tô avisando, é um caminho sem volta, depois não reclama!

O criador do musical, Lin-Manuel Miranda (é, o da J-Lo! O da Moana! Da Pequena Sereia live-action!) , que criou e compôs todas as letras e melodias e ainda estrela como personagem principal (SIM!), escolheu o rap como forma principal de narrativa por acreditar na capacidade deste gênero de contar histórias, principalmente a de uma figura tão eloquente quanto Hamilton.

 

 

Aula de história

Senta que lá vem (muita) história

Justamente por se sair tão bem com esse método narrativo, Hamilton é uma aula absurda de história. Eu garanto que, depois de duas ouvidas, a juventude americana pode absorver muito mais sobre a Revolução Americana do que em um ano de aulas nada dinâmicas da disciplina.

Sei disso porque eu, brasileira, tendo estudado muito superficialmente – e há um bom tempo – sobre este episódio da história americana, acabei gabaritando este quiz depois de ler as letras apenas duas vezes. Sério, professores, incorporem estes métodos nas aulas de vocês, os alunos agradecem (abaixo, professores que entenderam o recado e se apresentaram no show de talentos da escola deles com duas músicas da peça hahahaha!).

 

 

Elenco

Deuses olímpicos, também conhecidos como atores da Broadway

Sério. Nem sei quais dos membros do elenco destacar aqui, porque todos são maravilhosos. É claro, depois de um ano em cartaz, a maior parte do elenco já foi substituída, mas para você que é pobre como eu e terá no máximo a oportunidade de ouvir a trilha sonora no seu fonezinho de ouvido, é a voz dessa galera que está eternizada na gravação.

Vou jogar o meu preferido e sair correndo: Leslie Odom Jr. Mentira, tenho que falar de quase todos eles mesmo. Selecionemos, então, aqueles que foram indicados aos Tony Awards desse ano.

 

NEW YORK, NY - FEBRUARY 15: Actor Leslie Odom, Jr. performs on stage during "Hamilton" GRAMMY performance for The 58th GRAMMY Awards at Richard Rodgers Theater on February 15, 2016 in New York City. (Photo by Theo Wargo/Getty Images)
O meu preferido, o citado acima Leslie Odom Jr., interpreta o primeiro amigo e o pior inimigo de Hamilton, Aaron Burr. A combinação de seus talentos em atuação, canto e dança são, para mim, a alma do musical. É impossível não se relacionar com o personagem, sendo também impossível, e nada frustrante, odiar o arquirrival do protagonista. Ah, ele acabou ganhando o prêmio de Ator Principal, mesmo concorrendo contra o próprio Lin-Manuel Miranda.

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A categoria de Ator Coadjuvante dos Tony inclui cinco indicados; em 2016, três deles vieram de Hamilton: Christopher Jackson (o imponente George Washington), Jonathan Groff (o hilário rei George III) e Daveed Diggs, vencedor da categoria, cuja performance como Marquês de Lafayette, no primeiro ato, e Thomas Jefferson, no segundo, é de tirar o fôlego. Ele é o intérprete dos versos mais rápidos e incríveis do show com sua atuação dupla. Infelizmente, assim como Leslie e Lin, ele também deixou o elenco da peça, e agora seguirá carreira na TV e no cinema, estreando em Extraordinário, ao lado de Jacob Tremblay e Julia Roberts.

Na ala feminina, Renée Elise Goldsberry (Angelica Schuyler, cunhada de Hamilton) garantiu o prêmio de Atriz Coadjuvante. Um dos momentos mais sensacionais – se não o maior deles – do musical é dela, durante a música Satisfied. Que. Intensidade. Só ouvindo.

 

Lin-Manuel Miranda

O criador do troço todo

Deixei o intérprete do personagem principal de fora do item anterior porque, sendo o protagonista, compositor e idealizador do projeto, ele é um motivo por si próprio.

Em 2009, Lin foi convidado pela Casa Branca para se apresentar em um evento de arte e poesia organizado pela presidência de Obama. Segundo a programação, ele apresentaria um número de seu primeiro musical, In the Heights (outro caminho sem volta, que também merece uma lista como essa aqui), que fazia sucesso nos palcos na época e que também ganhara o Tony Award de Melhor Musical. No entanto, Lin acabou surpreendendo os presentes ao informar que substituiria seu número conhecido por algo novo, de um projeto inédito que ele estava desenvolvendo ao lado do orquestrador Alex Lacamoire: foi a primeira vez que Hamilton foi apresentado ao mundo.

 

Quando Lin afirma, no vídeo acima, acreditar na combinação entre a vida de Alexander Hamilton e a cultura do hip-hop, os convidados do evento riram. Hoje, sete anos depois, quem está rindo mesmo?

 

 Coreografias

Os movimentos que tornam necessário assistir cada cena mais de uma vez

Outro elemento fundamental de musicais como esse são as coreografias, e as de Hamilton são sensacionais. O coreógrafo Andy Blankenbuehler também levou para casa um Tony Award por esse trabalho. É claro que, se você procurar, encontra o espetáculo inteiro filmado para download na internet, mas assistir desta forma é desaconselhado pelo próprio Lin. No entanto, você pode ter um gostinho das coreografias através de vídeos no YouTube nos quais Andy exibe sua genialidade, explicando a razão de ser de cada passo de dois trechos de My Shot e Yorktown.

 

 Dançarinos

Também conhecidos como semi-deuses da Broadway

Todos os dançarinos de Hamilton, além de executar com perfeição e energia cada passo do show, por mais de duas horas, fazem parte também do coro. Além disso, alguns deles, como a diva Carleigh Bettiol, chegam a substituir os atores principais quando eles não podem se apresentar (quando não dança, ela interpreta Eliza, esposa de Hamilton). Talento pouco é bobagem.

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 Cenografia

Rewiiiiiiind…

Como se não bastasse o efeito maneiríssimo de se ter um palco giratório em um musical, Hamilton tem dois. Que giram em direções opostas. O efeito que isso traz à produção é INCRÍVEL, principalmente em momentos como Ten Duel Commandments, onde um duelo é encenado, e Satisfied, quando… não vou dar spoilers. Quem tiver interesse em saber o que acontece, dá uma buscadinha rápida na internet (ou então compra uma passagem para Nova York, o que for mais fácil para você hahaha).

 

Incentivo à educação

Foco na juventude

Como se já não bastasse esse altíssimo nível artístico, Hamilton tem um papel social, ajudando a desenvolver a educação dos jovens novaiorquinos de maneira ainda mais direta do que simplesmente sendo o novo produto cultural preferido deles: a produção realiza sessões de matinê especiais para alunos de escolas públicas, que têm a oportunidade de assistir ao espetáculo, cujos ingressos estão esgotados até janeiro do ano que vem, pelo preço de dez dólares, quando o ingresso, na verdade, custa de 200 a 3 mil doláres na mão de empresas de revenda. Além disso, oficinas de rap foram oferecidas a esses estudantes, que puderam desenvolver suas habilidades no gênero.

 

Prêmios

Hamiltonys

Hamilton ganhou um total de 11 das 16 estatuetas aos quais concorreu nos Tony Awards de 2016: os já citados Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Coreografia, além de Melhor Direção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino, Melhor Orquestração, Melhor Iluminação, Melhor Orquestração e, é claro, Melhor Musical. Deu até peninha dos outros indicados. Mentira, nem deu.

 

BÔNUS

É claro que eu não iria conseguir fechar em dez motivos, né?

O décimo primeiro deles, caso ainda não esteja convencido, é a iniciativa #Ham4Ham. Acontece da seguinte forma: todos os dias, assentos nas melhores fileiras do teatro Richard Rodgers, onde Hamilton é encenado atualmente, são sorteados a pessoas que não tiveram a oportunidade de comprar ingressos para aquela sessão. Como se não bastasse a oportunidade, os sortudos ainda pagam o preço promocional de dez dólares. Por quê? Alexander Hamilton é o rosto na nota de dez dólares. Dessa forma, você dá um Ham pelo Ham (daí a hashtag!).

Para atrair o público para este sorteio (como se precisasse!), o elenco faz, semanalmente, algum tipo de performance na própria calçada do teatro. Quando não tem microfone disponível, eles improvisam com um megafone mesmo, e daí rolam apresentações maneiríssimas, como interações com os elencos de outros musicais, incluindo Os Miseráveis e Rent, paródias, inversão de papeis e muita, mas muita palhaçada. Selecionei alguns dos melhores:

Agora você já pode separar duas horinhas do seu tempo, correr na playlist ali de cima, abrir o o Genius (e, se necessário, o Google tradutor) e se perder nesse mundo comigo. Vem!

 

Especial #7 – Retrospectiva 2016

No nosso último episódio do ano, reunimos novamente os sete integrantes da nossa equipe para uma conversa sobre o que rolou no mundo dos musicais e no nosso podcast em 2016. Foi um bom ano para os musicais? Quais foram os pontos altos e pontos baixos? Vem ver se você concorda com a gente!

Musical Cast, o primeiro podcast sobre teatro musical do Brasil, para você que quer informação além da superfície! Episódios novos todas as sextas-feiras, às 10h. Estamos disponíveis no Spotify, no iTunes, no Deezer e em outros agregadores de podcast como o Google Podcasts.

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“Sunday in the Park with George” vai à Broadway

A versão de Sunday in the Park With George com Jake Gyllenhaal e Annaleigh Ashford está a caminho da Broadway, em uma temporada limitada de 10 semanas, de 11 de fevereiro a 23 de abril de 2017, anunciaram os coprodutores do Ambassador Theatre Group.

O musical reabrirá o Hudson Theatre, que não era usado como teatro da Broadway desde 1968. Gyllenhaal já havia sido anunciado no elenco da produção que reinauguraria o teatro, o revival de Burn This de Lanford Wilson, temporariamente adiada.

Esta versão do musical de Stephen Sondheim e James Lapine, sobre o pintor francês George Seurat e seu mais famoso quadro, “Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte”, foi concebida como um concerto beneficiente apresentado em outubro no New York City Center. Originalmente anunciado na forma de concerto único, foram realizadas um total de cinco apresentações devido à grande demanda por ingressos. A produção é dirigida por Sarna Lapine, sobrinha de James Lapine.

O elenco é liderado por Gyllenhaal como Seurat e Ashford como Dot. Ainda não foi anunciado se os outros integrantes do elenco também farão o musical na Broadway.

Por Leticia Saggese
Foto por Stephanie Berger

Vencedores do 1º Prêmio Musical Cast

No domingo, publicamos nosso episódio especial contando quem foram os vencedores do voto técnico e voto popular do 1º Prêmio Musical Cast.

Hoje divulgamos oficialmente os vencedores da votação técnica. Amanhã, publicaremos as imagens com os vencedores da votação popular.

Criamos um prêmio póstumo, para homenagear artistas queridos que tenham nos deixado durante o ano. Decidimos chamar esse prêmio especial de Troféu Marília Pêra, em homenagem à grande dama que nos deixou ano passado. O 1º Troféu Marília Pêra foi para nosso querido Roberto Sargentelli, querido ator que temos orgulho de dizer que nos escutava e apoiava o nosso trabalho. Obrigado por tudo, Sargentelli pai!

Mas não deixe de dar o play no nosso episódio para ouvir todos os comentários da nossa equipe sobre os indicados e premiados. A diversão é garantida!

Para escutar o episódio, clique no link abaixo. Também é possível escutar o podcast off-line através do iTunes ou por agregadores de podcasts da plataforma Android.

http://musicalcast.com.br/especial-6-1o-premio-musical-cast/

 

 

1º Prêmio Musical Cast – Voto técnico

Melhor design de luz: Cesar de Ramires – Gabriela, Um Musical
Melhor design de som: Tocko Michelazzo – My Fair Lady
Melhor visagismo: Hugo Daniel – Forever Young
Melhor coreografia: Tânia Nardini – My Fair Lady
Melhor cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner – Meu Amigo Charlie Brown
Melhor versão: Mariana Elisabetsky e Victor Mühlethaler – Wicked
Melhor direção musical: Carlos Bauzys – Cinderella
Melhor produção: T4F Entretenimento – Wicked
Melhor solo: “Desafiar a Gravidade” – Myra Ruiz (Wicked)
Melhor coro: “Bohemian Rhapsody” – We Will Rock You
Melhor casal: Bianca Tadini e Bruno Narchi – Cinderella
Melhor sub/swing: Douglas Tholedo – Meu Amigo Charlie Brown
Melhor ator coadjuvante: Fred Silveira – My Fair Lady
Melhor atriz coadjuvante: Giulia Nadruz – Cinderella
Melhor ator: Paulo Szot – My Fair Lady
Melhor atriz: Laila Garin – Gota D’Água [a seco]
Melhor direção: Rafael Gomes – Gota D’Água [a seco]
Melhor musical infantil/infanto-juvenil: O Palhaço e a Bailarina
Melhor revival/segunda temporada: My Fair Lady
Melhor montagem de um musical estrangeiro: Wicked
Melhor musical brasileiro: Gota D’Água [a seco]
Melhor musical independente: Noites de Verão – O Musical (Julio Velloso)
Melhor musical: Wicked
Troféu Marília Pêra: Roberto Sargentelli

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1º Prêmio Musical Cast – Voto popular

Melhor design de luz: Ney Bonfante – My Fair Lady
Melhor design de som: Tocko Michelazzo – My Fair Lady
Melhor visagismo: Kiara Sasso – O Palhaço e a Bailarina
Melhor coreografia: Alonso Barros – Meu Amigo Charlie Brown
Melhor cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner – Meu Amigo Charlie Brown
Melhor versão: Julio Velloso – Noites de Verão – O Musical
Melhor direção musical: Sandro Silva – Meu Amigo Charlie Brown
Melhor produção: T4F Entretenimento – Wicked
Melhor solo: “Desafiar a Gravidade” – Myra Ruiz (Wicked)
Melhor coro: “Venha Ver” – Wicked
Melhor casal: Myra Ruiz e Jonatas Faro – Wicked
Melhor sub/swing: Thuany Parente – Wicked
Melhor ator coadjuvante: Pedro Navarro – Godspell
Melhor atriz coadjuvante: Mariana Nunes – Godspell
Melhor ator: Beto Sargentelli – We Will Rock You
Melhor atriz: Fabi Bang – Wicked
Melhor direção: Miguel Falabella – Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos
Melhor musical infantil/infanto-juvenil: O Palhaço e a Bailarina
Melhor revival/segunda temporada: Meu Amigo Charlie Brown
Melhor montagem de um musical estrangeiro: Wicked
Melhor musical brasileiro: Gota D’Água [a seco]
Melhor musical independente: Gaiola das Loucas (Latorre Produções)
Melhor musical: Wicked

 

O primeiro podcast sobre musicais do Brasil. Para você que quer informação além da superfície.